Falta de professor: o futuro já começou

O Estado de São Paulo tem vivido no setor uma crise sem precedentes: excesso de plataformas, avaliações punitivas a professores que estão sendo retirados de suas sedes de efetivação e deslocados para quaisquer outras escolas

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Está acontecendo o que muitos temiam – e não sem avisos: quanto mais passam os anos, menos pessoas se interessam pela carreira do magistério. Esse quadro encontra justificativas principalmente nos baixos salários, na ineficiência das políticas públicas, no desinteresse dos alunos e na ausência das famílias nesse processo de formação.

Há tempo que as solicitações por revisão salarial vêm ocorrendo; entretanto, os rendimentos dos professores são reconhecidamente incompatíveis com a importância do papel que exercem na construção de uma sociedade legítima, íntegra e igualitária. A injustiça é mais evidente nas instituições públicas, mas não pensem que os valores de hora-aula não são também vergonhosos e abusivos em muitas escolas particulares.

O Estado de São Paulo, carro-chefe do país, tem vivido no setor uma crise sem precedentes: excesso de plataformas, crescimento da burocracia, avaliações punitivas a professores que estão sendo retirados de suas sedes de efetivação e deslocados para quaisquer outras escolas! A propósito, o governo estadual está aplicando uma proposta cujo andamento e resultados nem de longe estão levando em consideração o que pensam os docentes – uma política de silenciamento da classe. Então, está cada vez mais fácil chegar ao esgotamento físico e mental! E quem está avaliando os responsáveis pela implementação dessa desastrosa empreitada adversa à satisfação até dos alunos?! Mais: sendo verdade que a crise social se reflete nas famílias, elas continuam alienadas do que está acontecendo e do direito que a seus filhos está sendo negado para o resto da vida. Não é este um processo de exclusão?

Mas isso tudo deve estar sendo bom para alguém. Aprendi que nenhuma coisa persiste neste mundo se não estiver fazendo bem ao menos a meia dúzia de pessoas. Pesquisas apontam que, em 2040, teremos um déficit de 235 mil profissionais do ensino. Apagaram a luz da Educação e, nesse escuro, não estamos mais achando os professores!

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Escrito por:

Emerson Rossetti

Professor com mais de 30 anos de experiência no ensino médio e superior. Formado em Letras, com Doutorado em Estudos Literários, desenvolve trabalhos voltados também para o estudo da MPB e da História da Arte.

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